O surgimento do futebol em Curitiba deu-se no ano de 1908, oriundo de um convite feito
pelo Club de Futebol Tiro Ponta-grossense para um amistoso em Ponta Grossa - berço
do futebol no Paraná.
Formou-se então um time de alemães, que foi a cidade vizinha e perdeu o amistoso por 1x0,
dando origem posteriormente ao Coritibano Foot Ball Club, hoje Coritiba.
Em fins de 1910, foi fundado o Paraná Sport Club e em maio de 1912, finalmente,
e ainda bem, o Internacional Foot Ball Club, sob a liderança de Joaquim Américo Guimarães.
Já com o Paraná em atividade, fundado pelos funcionários da American Brazilian
Engineering Co., de Ponta Grossa, recém estabelecida em Curitiba, para fazer frente a
essas agremiações "estrangeiras" que pareciam desejar o monopólio do esporte no Estado,
jovens da "alta" e "tradicional" sociedade curitibana organizaram-se para também
fundar uma agremiação esportiva. Afinal de contas, o futebol era moda, e começava a tomar
conta do gosto popular. Assim, em 22 de maio de 1912, Joaquim Américo Guimarães
preside reunião de vinte pessoas, os primeiros sócios e fundadores do
INTERNACIONAL FOOT BALL CLUB.
Durante o ano de 1914, Joaquim Américo Guimarães iniciou e concluiu o estádio
do Internacional, no local então conhecido como "baixada" do arrabalde do Água Verde.
Era longe do centro e por aquelas redondezas de importante mesmo, era apenas o depósito
de pólvora, ali mesmo na Rua Buenos Aires, local escolhido inclusive por medida de segurança.
Pouco havia em derredor.
Embora até com frequência acontecessem visitas do Rio Branco de Paranaguá e do Operário e
Guarani de Ponta Grossa, naquela baixada do Água Verde regularmente eram realizados torneios
internos entre times secundários, reservas e simpatizantes do Internacional, dono do campo.
Isso estimulava a integração social. Os associados formavam equipes, aumentando o número
de participantes. Naturalmente inferiorizadas, por mais que possuissem valores de respeito,
não deixavam de ser sacos de pancada. E o Internacional, possuía também o seu segundo time,
que se dava ao luxo de queixar-se por merecer atenção diferenciada. Esboçou-se então,
em 1913, a criação de uma nova equipe, justamente quando esse grupo passou uma lista de
adesões a fim de comprar novas camisas. Um belo dia em 1914, 24 de maio, dando o grito de
independência, surgiu oficialmente o AMÉRICA FOOT BALL CLUB, separando-se do já; consagrado
Internacional.
O Internacional e o América foram campeões, respectivamente em 1915 e 1917.
O Coritiba em 1916. Depois disso só; deu Britânia, hexacampeão (1918,19,20,21,22,23).
Hegemonia incontestável. Porém, socialmente uma equipe frágil, que não possuia nem
tradição, nem popularidade e sequer dispunha do apoio de uma colônia.
Numa época de implantação como aquela, o fato era fundamentalmente negativo.
A hegemonia de um grupo pequeno e isolado fatalmente abalaria o estímulo, o entusiasmo.
O América, popularíssimo; o Internacional idem, afora a cobertura que detinha dos
tradicionais troncos provincianos; o Coritiba, toda uma colônia. O problema era sério.
Não bastassem os brios altamente feridos!
Além de tudo, alguns problemas paralelos: o América não havia pago a dívida contraída
perante a liga regional, resultando no fato de o Campeão da segunda divisão,
o Universal, solicitar inscrição na vaga naturalmente aberta pela punição de cancelamento
incidente sobre o América. Um jogador Americano, mais do que depressa paga a dívida junto
à liga, o que a obriga a uma salomônica decisão: determinar jogo extra entre América e
Universal, como critério para ocupar a tal vaga para o campeonato de 1923.
O jogo transcorria normalmente e, quando estava 3x3, foi marcado um penalti contra
o América. Uníssono ao primeiro grito de Marrecão, capitão da equipe e expulso imediatamente,
o América retira-se do gramado e perde a vaga por desistência.
Três dias depois, como saída encontrada e já dando largas a comentários e desejos
recônditos, próceres do América e do Internacional reuniram-se para tratar da fusão
entre as duas agremiações. Mas discordaram quanto às cores da camisa. E nisso,
passou-se um ano.
Em março de 1924, porém, os dirigentes se entenderiam : o desportista Luiz Guimarães -
Zalacain - , ex-"goal-keeper" do América, empresário, jornalista e editor esportivo,
ligado por laços de parentesco aos Gonçalves, família a que pertencia Marrecão, além
de dar-se muito bem com a elite tradicional do Internacional, teve ação decisiva relativamente
às providências e no dia 26 de março de 1924 foi empossada a diretoria do novo clube.