1999 - CORITIBA
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
Ferreira Gullar
Como o poeta, que vai até ao âmago do povo para extrair o material da sua forja, que traz
ao mundo aquilo que sentimos e que muitas vezes queremos dizer e não conseguimos, o time
do Coritiba olhou bem fundo nos olhos do torcedor e soube que já não era sem tempo:
1999 era ano de título .
Ao contemporizar-se com a inquietude da torcida, os jogadores fortaleceram-se espiritualmente
e a partir daí imperou no Alto da Glória uma união de elenco como há tempos não se via.
E mais. Parecia que essa união ultrapassava o conjunto dos atletas. A comissão técnica,
com o comando do brilhante Abel Braga, a diretoria, conduzida pelo incansável Jacob Mehl,
foram unidas à corrente que ia desde o primeiro até o último torcedor. Nas vésperas da
decisão, a impressão era de que toda a cidade já sabia: Coritiba Foot Ball Club -
Campeão Paranaense de 1999!
Foram muitas as vicissitudes vividas pelos coxas-brancas desde o início do ano. Uma
parábola em "U" talvez descreva o que aconteceu neste ano. A empolgante campanha no início
da I Copa Sul que se transformou em eliminação; e depois também teve a eliminação da Copa
do Brasil. Não foi uma fase fácil. A derrota para o Batel fora de casa, o empate no Couto
Pereira com o União Bandeirantes. A saída do técnico Mauro Fernandes e a estréia de Abel
Braga na horrível derrota de 6 X 2 para o Paraná Clube, no Boqueirão. Mas depois sete
vitórias seguidas, até aquele histórico empate que o Coritiba conquistou nos minutos
finais, também no Boqueirão. A parábola estava descrita. Só faltava a coroação do título.
Estádio do Pinheirão, 10 de julho. Difícil é descrever as emoções que dezenas de milhares de
coxas-brancas experimentaram durante aquele jogo. Emoções estas multiplicadas em dezenas de
centenas de milhares de corações que acompanhavam a decisão pela TV e pelo rádio. A um minuto
de jogo, pênalti para o Paraná. Aos sete minutos já eram 2 X 0. Foi aí que a garra e a
esperança foram determinantes. Com certeza, a imagem da comemoração do gol de Cleber,
aos 25 minutos do primeiro tempo, ficará por muito tempo gravada nas retinas dos
torcedores. Símbolo de agradecimento e esperança, Cleber ajoelha-se e ergue as mãos
para os céus, repetindo o gesto que já era marca registrada. E esta palavra, "Esperança",
que já existe de forma latente no coração verde-esmeraldino de todo coxa-branca, ecoava
nos gritos da torcida: RAÇA, VERDÃO, VOCÊ É CAMPEÃO!!! E aos 31 minutos do segundo
tempo, aquele belo gol de Darci, que havia entrado há poucos minutos, transformou a
torcida coxa num bloco de alegrias diversas. Pessoas se abraçavam, crianças e adultos
choravam, amigos se confraternizavam. Naquela tarde, os deuses do futebol acenavam,
de cima das núvens plúmbeas que cobriam o Pinheirão, com bandeirolas verdes e brancas,
e era possível até ler os seus lábios. Eles cantavam: COXA, EU TE AMO!!! COXA, EU TE
AMO!!!… O CORITIBA É O CAMPEÃO DO POVO.
O artilheiro do campeonato foi Cleber do Coritiba com 11 gols.
Este texto foi escrito pelo amigo Coxa-branca - Nilo Fereira da Rocha.
Resultados
Time Base:
Regulamento
O Campeonato Paranaense de 1999 teve quatro fases. Na primeira, os 12 times jogaram
entre si em turno único. As oito equipes melhor classificadas, foram para segunda fase.
As duas últimas equipes, ao final da primeira fase da Série A-I em 1999, descem para a
Série A-II, no ano 2000.
Data Jogo 10 março 1999 Coritiba 3 x 0 Matsubara 17 março 1999 Malutron 1 x 3 Coritiba 28 março 1999 Batel 1 x 0 Coritiba 07 abril 1999 Coritiba 3 x 0 Francisco Beltrão 11 abril 1999 Coritiba 1 x 0 Atletico 25 abril 1999 Apucarana 1 x 3 Coritiba 28 abril 1999 Coritiba 2 x 2 União Bandeirantes 01 maio 1999 Coritiba 4 x 0 Operário 09 maio 1999 Paraná 6 x 2 Coritiba 16 maio 1999 Coritiba 4 x 1 Irati 23 maio 1999 Rio Branco 0 x 1 Coritiba 30 maio 1999 União Bandeirantes 0 x 2 Coritiba 07 junho 1999 Coritiba 2 x 0 União Bandeirantes 13 junho 1999 Atlético 1 x 2 Coritiba 20 junho 1999 Coritiba 1 x 0 Atlético 27 junho 1999 Coritiba 1 x 0 Paraná 07 julho 1999 Paraná 2 x 2 Coritiba 10 julho 1999 Paraná 2 x 2 Coritiba
Gilberto, Reginaldo Araújo, Leonardo, Flávio e Dutra; Struway (Ataliba), Mozart, Yan (Betinho)
e Luis Carlos (Reginaldo Nascimento); Sinval e Cleber.
O Técnico do Coritiba: Abel Braga
O Técnico do Paraná: Marcio Araújo
A partir da segunda fase foi adotado o processo da eliminatória em duas ou três partidas,
o playoff.
No caso de uma equipe vencer as duas primeiras partidas do playoff, a terceira
não será realizada.
Aqui, as oito equipes divididas em quatro grupos, com dois times em
cada um, e as vencedoras se classificarão para a terceira fase. A equipe
melhor classificada na primeira fase terá o mando de jogo da segunda partida nesta
fase, e da terceira partida, se houver.
Na terceira fase, a semifinal, as quatro equipes classificadas serão divididas em
dois grupos com dois times cada. Os vencedores de cada grupo estarão classificados
para a fase final. O time melhor classificado na primeira fase terá mando de jogo da
segunda partida nesta fase, e da terceira partida, se houver.
Na quarta fase continua valendo o critério do playoff, e a equipe que somar
maior número de pontos ganhos será declarada campeã.
Em caso de igualdade de pontos entre duas ou mais equipes vale como critério de desempate,
nessa ordem, na primeira fase: maior número de vitórias, melhor saldo de gols, maior número
de gols a favor, menor número de gols sofridos, vantagem no confronto direto, apenas
no caso de empate entre as duas associações, e sorteio na sede da FPF (Federação Paranaense
de futebol), às 18h do primeiro dia útil seguinte ao término da primeira fase.
Nas demais fases, vale o melhor saldo de gols na fase e melhor
índice técnico na primeira fase.